quinta-feira, 28 de junho de 2012

COMO?

Como descrever em palavras o que eu sinto sem sequer saber explicar para mim mesma? Como dar sentido a um amor tão etéreo, tão imaterial, tão restrito a mim e minhas próprias projeções, tão sutil, tão intenso que se expande no tempo-espaço do Universo quando te vejo, te escuto, te sinto e te desejo ainda que só em meus sonhos?
Como lidar com a força pujante deste eternizante amor? Como fazer uso de sua força transformadora, sem experimentar a dor?
A dor de não te ter, de não te ver, de não te conhecer, de não poder estar com você a cada instante?
De querer uma vida inteira com você e não vivê-la?
Como te esquecer? Como viver e deixar morrer, se é a atemporal saudade o melhor retrato do meu amor por você?

sábado, 29 de janeiro de 2011

Viva!

De repente você me pareceu uma memória tão distante
Ao te olhar
De repente tudo ficou tão inconstante
Ao me relembrar
É mesmo estranha esta sensação de não-lugar
De não pertencimento ao teu lado ou ao de quem quer que esteja a, na minha vida, passar

Mas não chega a ser a estranheza da dor, nem tão pouco do desamor
E sim uma do tipo que chega para ficar, uma do tipo que te carrega junto com as ondas do mar
Castelos de areia pueris que se desmontam de tempos em tempos sem contudo destruir seu construtor pelo apego passageiro a sua obra perecível


Neste caso tão só a viagem é o combustível
Uma viagem em mim, por mim, para mim
Que assim como quem nada quer me conduz para mundos onde a visitação
mais do que fechada é impossível

Sou eu, e agora não mais um espelho das miragens e das paisagens que de tempos em tempos vem comigo cruzar

Sou eu pura, nua, crua e carnal
Real, num grande bacanal
Mas legal, para que eu possa desvendar os mais sordidos e ardidos segredos
Que somente uma alma em si e per si pode revelar

Na verdade não é você, nem ela, nem ele, nem eles, nem ninguém, nem nada
É tudo uma grande vivência exacerbada do eu
Do fantasticamente possível e irresistível eu que se apresenta irrefutável
Tomando de assalto todo meu espaço-vida
E sendo assim já não há mesmo saída

À mim, viva!

Aprendendo

Aprendendo tudo e mais um pouco
Neste ritmo louco, da desencantada vida
Que segue deixando rastros de seus desastres
De sua eterna arte de sempre nos surpreender
Em sua capacidade de ser muito mais que a dor, que o amor e odor da gargalhada de boca aberta ou da ferida
Desta experiência aguerrida de enfrentar a morte que nos percorre todo dia
Da continuada morte do passado para a posse do presente
Que escorre entre dentes aflitos de tensão
Entre pernas grudadas de tesão
Que acontece em olhos famintos de paixão
Que é soberano porque real
Aprendendo mais, aprendendo demais
Como se fosse função da vida nos fazer  do que somos  mais

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

A vida

A vida simplesmente acontece
Quando ela acontece, do jeito que ela acontece
No êxtase da alegria, na frieza da nostalgia
No descontrole da verborragia
Na tristeza da melancolia
No pesar
Na profunda saudade que cala a alma
No perdido ou achado olhar
No constante movimento
No tocar do vento
Em quem aprecia o ir e vir das ondas do mar
No delirante tormento de quem não sabe amar
Na arte de navegar nos sentimentos
Que jamais cessam de se revelar
Mas sobretudo mostra-se para aqueles
Que se devotam a observá-la em sua existência
Apreendendo e construindo valor através da sua mutável essência

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Pára!

Pára o mundo que eu quero descer.
Quantas vezes não temos esta sensação, este obtuso desejo de mudar o compasso planetário?
Daí algumas e alguns como eu decidem recorrer aos recursos literários
Quem sabe a verborragia dá vasão ao rio de emoções que parecem nos sufocar?
Quero florescer, dar flores e frutos.
Quero alvorecer, enrubecer, viver de prazer profundo em existir.
Quero ir até o fim, persistir
Quero ver da Lua toda a Terra una
Quero ser a musa de todo poeta
Quero estar nua de todas as intervenções externas
Quero fazer uma construção interna
Quero ser mais. Quero paz.
Mas paz ativa, na coexistência harmônica com o todo.
Quero tudo novo denovo.
Quero expandir o meu mundo de ovo e encontrar os outros
Num re-encontro de diamantes e ouros, que se lapidam sem jamais se corroerem uns aos outros
Quero gosto, quero gozo, quero o moço.
Não quero mais tanto alvoroço, nem caroço em angú.
Não quero pus nem sangue pisado.
Quero amor amado, tempo passado na obsolecência
Quero presença no agora de qualquer hora que me abre o portal da eternidade
Para os três mil mundos num único instante de existência.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

“Cidadão de bem” tem mesma essência que “Vagabundo”? Que isso Einstein!

Já dizia Albert Einstein que somos feitos da mesma matéria que as estrelas.
E eu concordo. Somos todos filhos do grandioso Universo, prenhes de todas as possibilidades.
Somos heróis e bandidos, bons e maus, carregamos 24 h por dia em potencial a vontade de sorrir, de gozar, de beijar, de matar, de bater, de violentar, de gritar, de acolher e de acarinhar. Tudo junto e misturado, e seguimos nossas vidas: "T'Amu Junto" diria desta vez o polivalente artista Suniá Torres.
Nestas tendências infindáveis que atravessam nosso cérebro e corpo em forma de fluxos e refluxos, úlceras, cócegas no estômago, quentura por detrás das orelhas, aceleramento cardíaco, tremedeira, leveza e suadouro entre outros, se revelam nossos múltiplos sentimentos e pensamentos a nos denunciar e gravar na nossa história quem somos e o que viremos a colher.
Neste abate e caça aos "vagabundos" cariocas que passa em rede nacional como se fosse um filme de ação de Hollywood, "os cidadãos de bem" urram, batem palma, se emocionam e sentem tesão inflamado com a demonstração de força desproporcional de 1.300 homens e mulheres (não despropositadamente homens em sua maioria e visão de mundo) "do Bem" e "da Ordem" atrás de 600 "vagabundo(a)s", acreditando na lógica cartesiana de que podemos maniqueistamente nos separar "como joio do trigo" dos últimos. Afinal de contas, pagamos nossas contas, lutamos para alimentar nossas famílias, sem jamais nos corrompermos com o jogo do bicho ou o caça-níquel da esquina, os DVDs baratos da pirataria ou subornar o "guardinha" para não ter o carro guinchado, nem muito menos batemos "de leve", afinal "um tapinha, um empurrãozinho e um rochinho não doem" em mulheres que provocam a ira masculina depois e mesmo antes de qualquer copinho de cerveja, ou de uma branquinha, ou de um baseadinho que compramos ali na boca sem maldade. Afinal são todos estes males menores. E que contundentemente não têm nada a ver com a gente, uma vez que não temos culpa se dvs são caros, se jogos do bicho e máquinas caça-níqueis são negócios de fachada para máfias armadas, se não estávamos com a documentação - caríssima por sinal - do carro em dia e os guardas são corruptos, se tem mulher "que merece porrada", e se o Estado e a sociedade(nós) hipócritas não nos deixam fumar nosso baseadinho, cheirar nosso pózinho em paz, e se o meu, o seu, o nosso dinheiro financia os traficantes que hoje queremos ver virar tiro ao alvo isto não tem mesmo nada a ver com a gente. Aliás, eu nem faço nenhuma das coisas acima listadas, só meus amigos é que fazem, e aí minha conivência moral é que muito menos vai ter alguma coisa a ver com isso, afinal em "vida de marido e mulher não se mete a colher" e já dizia mamãe que é sempre melhor, para a preservação do bom convívio social fingirmos que somos "surdos, cegos e mudos". O que não é problema meu, é problema do outro, ainda que este outro esteja conectado ao meu day by day.
Ahhhhhh, mas aquela adrenalina emocionante, que me sobe por dentro, me faz brilhar os olhos e ser vibrador da desgraça alheia, ahhhhh esta não faz mal mesmo. Afinal sentar vidrado em frente à TV para ver "vagabundo" morrer não me faz um monstro sanguinário, afinal eu sou "cidadão de bem", e o sentimento de gozo com o sofrimento alheio, com a barbárie, com a carnificina é o máximo que me faz chegar perto de ser da mesma matéria que o primeiro.

E ainda tem gente que a esta altura do texto não deve ter entendido a citação de Einstein.
Maravilhosa humanidade que nos faz mais dos mesmos!!!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

OLHAR

Prelúdio

Criar valor a partir de tudo que acontece
É sabedoria
Por isso faça da sua dor poesia
E terás transformado sofrimento em alegria

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Olhar forte e vidrado
Que causa medo
É de igual essência do olhar apaixonado
Que despertara meu desejo
Porque gerou meu apego
Fiquei para ver o segundo
Muito embora subexistisse o primeiro
Contudo agora
Apenas martela em minha memória
Os rastros nefastos que deixam aquele
E este?
Incerto, já não me compra
Tenho ânsia de forjar a mudança
Sou artífice da perseverança
E minha andança eu não posso evitar
Continuo a caminhar
Na esperança de um dia me deleitar
Somente com os desenrolos
Que me fizeram sonhar
A partir dos encantos
deste multifacetado olhar