quinta-feira, 12 de março de 2009

Como

Justificar
Como é possível haver mais amor em nós do que jamais pensamos haver em todo Universo? Como é possível emergir de nosso ente a mais genuína felicidade que jamais imaginamos sentir por todas as existências? Como negar que tudo vale a pena por aquele valioso momento em que você sente tudo e mais, por ser este mesmo momento que gostosamente na lembrança nos permite ter a força de continuar simplesmente por saber que podemos sentir assim? Como não lembrar do sorriso luminoso que te abre o coração e faz brilhar intensamente a energia vital em ti? Como não almejar sentir sempre mais e mais como sentiu de forma tão plena? Como não agradecer estar viva e por conta do sopro da vida ser possível experimentar tanta luminosidade que até mesmo ofusca teu olhar? Como não superar tudo apenas para viver este mais alto sentimento de unicidade com o Universo refletido em cada sorriso, cada olhar, cada toque, cada tom, cada cor, cada sinal de vida a te rodear? Como não lacrimejar de alegria? Como reclamar do Sol, da chuva, da geada, do orvalho, da garoa ou da neve grossa que tudo estanca, quando o poder que de ti emana espanta? Há como não ser feliz agora? Há como não ser feliz a qualquer hora?

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Minha alma é livre
Busca a verdade na arte de viver
Cada dia intensamente
É composta de desejos, supera medos
E desvenda todos os segredos
De extensos e diversos Universos
Em mim
Por dentro me remexo, reinvento
E renasço segundo após segundo
Para ser mais feliz

domingo, 30 de novembro de 2008

Que queres de mim?
Isto importa? Vezes não, vezes sim
Que quero para mim?
É o que verdadeiramente importa? Digo que isto é que sim.
Se posso lidar com meu querer de forma linear e bem resolvida
Isto já não sei, ou não saberia responder
Mas quero querer de uma forma que possa preencher minha vontade de ter
Você, ele, eu, vocês e nós
Todos nus de desfarces e representantes de uma só voz
Que expressa toda sua vontade de ser escutada e atendida
Em seus infinitos reclames
Contudo não quero queimar num mar de enlameada larva vulcânica
de paixões mal elaboradas em chamas de desejos constantes

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Busca de Mim

Seria mesmo fácil, se não fosse imperativo conhecermos a nós mesmos
Se não fosse tarefa das mais precisas desvendar nossos próprios mistérios
Para ao nos conhecermos, melhorarmos nossas perspectivas e ampliarmos
nossos horizontes
Ainda que com dor, porque é sempre preciso superar os desafios para desfrutar
do crescimento vindouro
Seria como ouro se atravessar o deserto do auto-conhecimento
fosse um passeio nos bosques floridos da sapiência pré-adquirida
Nenhum conhecimento vem sem construção ativa
Sem entrega das nossas almas nesta empreitada de desbravamento da vida
Eis que nos ergamos para a secura das feridas, a gélida e insólita caminhada
que é encarar-se no espelho
Não há como deixar nada de lado ou fora
Tudo faz parte desta reportagem de um só produtor, diretor, ator, cenografista
Que monta seu próprio espetáculo monológico de estruturação
Do Self, do Eu revisitado e conquistado em cada um dos passos desta jornada
Sem precedentes
É verdade, tornamo-nos muito mais prudentes com esta viagem
Que não tem data certa para findar porque é eterna

domingo, 16 de novembro de 2008

Divagando (1)

Envolvida em ardentes tramas de paixão
Traçadas a forte nanquim sombreado
Suspiro profundamente o desejo do amor saboreado
A cada momento, nutrido de pensamento e reflexão
Queria ter você aqui, de verdade, mas mais do que isso
Queria controlar meus sentidos e a afetação que eles sofrem ao te ver
Queria me conter, às vezes, por outras gostaria apenas de lançar-me ao seu encontro
Livre de entraves, de contratempos e algarves
Não queria me envolver, mas vejo que desde o início já estava visto
Que isso não seria possível, nem mesmo imaginável
Tudo já se anunciava desde o início
Mas por que tivera de ser assim?
A diferença agora é justo essa, hoje tenho dentro de mim
A força de querer desvendar o sentido do nanquim
Deste enredo que se inscreve, escreve e transcreve em mim, em ti
Em outros que absortos assistem e participam de todo este tecido de sentidos
A serem por fim autorados, demasiado explorados e arrancados pela raíz
Para fluir em nossas vidas expressas, descobertas, expostas, enredadas
Neste mar sem fim, de ondas celestes, de instrumentos de intérprete
De sentimentos, segredos, revelações e medos que nós deixamos ir
E libertamos sem maldade, mas com coragem e assunção da realidade
Que se impõe sem piedade, mas nos ensina a encarar nossas pendências, nossas histórias ainda por serem finalizadas, construídas, interadas, assumidas e sobretudo vividas
Sem dor ou sofrimento mas com o olhar atento de quem agora sabe muito mais de si
E assim pode se relacionar com o mundo fora afora sem se reprimir ou punir, sem negar ou fugir,
sem machucar ou magoar, mas com a vontade de amar a essência real de todos os fenômenos
A vida que emerge eterna em cada momento raro que encontramos a verdade em nós
E podemos num ato de integração total compartilhá-la e sermos mais

domingo, 5 de outubro de 2008

O luar negro e belo que ilumina com força e nitidez os meus caminhos
Igualmente irradia o mistério da noite que ainda chega
Anuncia os arrepios de sussurros e suspiros de amor,
terror ou ardor

Febril de paixão ou irruptivo de explosão
Sou vulcão em plena atividade até que
as larvas ainda quentes de minha vida

Vão encantar e aquecer com a beleza do fogo
outras formas de vida

Sou quem brilha com o cicatrizar de cada ferida
Sou quem regojiza-se com o despontar de cada nova vitória
Sou quem visualiza a oportunidade de estar manifesta
De quem faz de seu corpo a própria festa sagrada,
contemporizada, alastrada
por todos os poros
Eu canto, eu rio, gargalho e por vezes até que choro
Mas sobretudo comemoro cada instante
otimizado nesta luta de forças contrastantes

que compõem o drama de ser eu mesma
e viver minha própria história

Em última análise o que faço agora e toda hora
é criar a memória de ter sido o que fui neste exato instante
e em todos os outros que este sucederão em analogia

Sigo a poesia, o manifesto, a fantasia,
a responsabilidade de ser livre

De deixar para a posteridade a imagem do sonho
que acalentei e moveu minha vida

Sou enfim este luar negro que adentrou esta passagem despretensiosa
mas cheia de sentidos a serem pesquisados,
desmontados e remontados

Negro como o nanquim que define o tracejar do artista
Compositor de sua própria obra
Persisto e insisto em mim

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Quando as águas turbulentas do mar da maldade tentarem te desestruturar
Voe alto na brisa alegre da manhã de um novo dia
Acalente a esperança no raio de sol
Por entre as nuvens espessas da tempestade
Sopre todo o ar da vida residente em teus pulmões
Grite alto o brado de quem luta sem jamais desisitir
Queime com furor todo resquício de infelicidade
Comemore cada instante a mais de vida pulsante
Em cada choro, sorriso, sentido
Há um sinal de que ainda estamos vivos